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Monotrilho da Mata

Recentemente descobri um projeto do PAC interessante, porém certamente polêmico. Trata-se de um monotrilho que ligaria o Alto da Boa Vista, algumas favelas da Tijuca (Borel, Formiga e Salgueiro) e a estação Saens Peña. Notadamente, essa ligação alfinetaria o ego de certos cidadãos do “asfalto”. Não convém adentrar tanto nessa problemática, mas há duas questões importantes:

  • Não seria uma falta de planejamento não levar em conta uma expansão do metrô até a Usina, onde o asfalto é bem mais próximo do morro? Há espaço para um viaduto numa região urbanizada e consolidada como a Praça Saens Peña?
  • Qual é o critério para excluir o Morro do Turano das favelas contempladas? Afinal o complexo de favelas abrange uma área tão grande que seria possível até duas estações do monotrilho hipotético.

O polêmico monotrilho da Tijuca

Desde a apresentação do projeto, podemos ver falhas conceituais graves. O Morro do Salgueiro fica tão afastado da estação Saens Peña quanto a Rua do Matoso se distancia da estação Afonso Pena. E se o objetivo é só integrar as favelas da Usina, que se construa uma estação de metrô na região!

E é claro que há pontos positivos, tanto que irei absorver uma versão do projeto. A linha de monotrilho serviria como uma ecobarreira, impedindo novas invasões ao Parque da Tijuca, e certamente uma extensão encobertaria bem o trecho Usina-Itanhangá.

A versão do monotrilho pelo "Quero Metrô!"

O mapa a seguir mostra que essa linha de monotrilho exigiria um traçado muito sinuoso, já que um dos limites do modal é a inclinação, e o terreno acidentado seria problemático mesmo com a folga de se ter viadutos. Uma solução para isso seria a escolha de teleféricos ao invés do monotrilho.

Linha Turística, Anel Leste e outras novidades

Depois de um longo recesso aqui no blog, volto com grandes novidades. Estive esse tempo desenvolvendo uma nova versão da malha do projeto, tanto adicionando pequenos detalhes quanto modificando alguns conceitos das linhas. Alguns tópicos dessa mudança foram citados em outros posts como o desvio da Linha 6 na Zona Norte e chegada da Linha 4 no Centro.

Uma idéia aplicada, há muito sugerida, era uma ligação direta entre a região hoteleira, na orla da Zona Sul, e o Aeroporto Internacional, na Ilha do Governador. Essa ligação já existia, porém com a baldeação das linhas “Siqueira Campos – Pedra de Itaúna” e “Linha 3: Guaxindiba – Ribeira”. Além de favorecer diretamente o turismo, a linha é importante para resolver parte do maior problema da atual malha carioca, que é escoar passageiros oriundos da Supervia para a Avenida Rio Branco e Zona Sul.

Uma vantagem de se levar a Linha 3 para Jacarepaguá foi a integração com a Linha 7 (atual ramal Saracuruna). Na versão antiga, o projeto previa um grande desvio na Linha 7 para baldeação no Parque Alegria. Agora, isso não é mais necessário, já que a Linha 3 iria para o Oeste, haveria cruzamento quase perpendicular. As linhas ficam muito menos sinuosas e isso pode ser muito bem ilustrado:

Vantagens da conformação da Linha Turística

Outra novidade interessa a Niterói. Revisei a Linha 11, previamente em formato de arco, suavizando curvas e mudando um pouco o propósito. A partir da idéia de contemplar Pendotiba, percebi que era possível, assim como a Linha 1, fechar um anel. Seria uma solução definitiva para a mobilidade urbana em Niterói. Mesmo não sendo hoje tão necessária quanto trechos mais críticos, seria interessante a construção dessa linha de 29 km.

O Anel Leste

Além dessas mudanças, pequenos ajustes foram feitos e serão o assunto de próximos posts. É válido alertar os mais assíduos que alguns números e cores também mudaram. O setor “Linhas” exige um pouco mais de tempo, e todos os detalhes estarão descritos dentro de uma semana.

As diferenças entre a versão anterior e a versão atual podem ser ilustrados na imagem seguinte, com traçados ajustados em vermelho, estações e nomes novos em azul e trechos completamente novos em rosa.Ou verificar na versão cartográfica:

Corredores de ônibus

Outro ponto que muito se comenta é que a construção dos corredores de ônibus, ou BRT (Bus Rapid Transit), poderia dar conta da demanda carioca ou simplesmente ser justificativa de alguns políticos em não fazer algo semelhante ao projeto Quero Metrô!.

Explicarei nesse post porque os famigerados corredores não necessariamente excluem ou dificultam a possibilidade de linhas metroviárias, como também podem auxiliar a função do metrô em aumentar a fluidez da cidade. Isso se for feito uma política de planejamento, que infelizmente engatinha no Brasil.

Exemplo de ônibus biarticulado em Curitiba

O BRT é basicamente um sistema otimizado para o transporte rodoviário que se constitui de vias majoritariamente exclusivas para ônibus articulados. Foi implementado pela primeira vez no mundo em Curitiba, em 1974. Tais corredores se destacam num menor custo de implementação do que o metrô. Por outro lado, poluem mais, têm manutenção mais cara e suportam demanda menor que do metrô (semelhante a um VLT). O BRS (Bus Rapid System) de Copacabana se difere de um BRT nos moldes curitibanos porque tem faixas compartilhadas com outros veículos.

No Rio de Janeiro, serão construídos até as Olimpíadas pelo menos 3 corredores BRT. Um deles citei no último post, o chamado TransCarioca, que ligaria Barra e Penha via Madureira. Os outros dois são o TransOeste, ligando Barra e Santa Cruz via Guaratiba, e o TransOlímpica, ligando a parte oeste da Barra com Deodoro via Jacarepaguá. O vídeo a seguir mostra o trajeto dos corredores:

Além desses corredores, também estava prevista a construção do corredor TransBrasil, em toda a extensão da Av. Brasil, e o Plano Lerner, um sistema de BRT em Niterói, criado por Jaime Lerner, que implementou o BRT pela primeira vez em Curitiba. Mais tarde haverá um post falando sobre o sistema que estou organizando para o Leste Fluminense.

Nesse ponto, muitos discutem que os corredores poderiam concorrer com as linhas de metrô projetadas pelo Quero Metrô!. Nessa próxima atualização que estou preparando, haverão desvios nas linhas de modo que isso não aconteça. Proporcionei que as áreas afetadas pela chegada do BRT fossem um pouco mais afastadas do metrô. Dessa forma, os corredores poderiam servir como linhas alimentadores do modal mais pesado, o metrô.

Áreas afastadas do metrô destacadas em vermelho

Para isso, criei meu próprio sistema de BRTs, que seria muito semelhante aos planos atuais. Por exemplo, a única diferença do TransCarioca oficial e o do Quero Metrô! é a relação no bairro Curicica. Ao invés de passar pela Estrada dos Bandeirantes, passaria pela Rua André Rocha, atingindo a região mais afastada do metrô. Outras mudanças são leves, apenas extensões imitando idéias já apresentadas no passado pelo governo, como o T8, o corredor ligando Baixada e Zona Oeste.


Vale lembrar que, no futuro, esses corredores podem ser substituídos por sub-ramais  das linhas em vários trechos:

  • Rodoviária – Margaridas, substituído pela Linha 3
  • Recreio – Santa Cruz, substituído pela Linha 4
  • Madureira – Galeão, substituído pela Linha 6
  • Deodoro – Santa Cruz, substituído pela Linha 7 opcional

Isso poderia extinguir alguns dos corredores, sobrando apenas os benefícios nas avenidas e vias expressas.

O governo orgulhosamente apresenta a novela “Metrô na Barra”

Os que acompanhavam o início das obras em São Conrado estavam começando a se animar, porque finalmente a linha 4 estava saindo! Nessa altura, a expectativa de muitos era saber o trajeto entre Ipanema e a Gávea.
A animação durou relativamente pouco, já que não esperávamos respostas tão ásperas:

“Estado garante metrô para a Barra em 2016, mas Estação Gávea pode não sair”

Matéria do Globo

Resumindo, se não der tempo, o metrô na Barra da Tijuca seria, “por ora”, uma mera expansão da Linha 1. Por outra vez, podemos ser surpreendidos com mais uma expansão fugindo entre nossos dedos. Pelo histórico do metrô carioca, podemos listar casos parecidos como a ligação entre o Estácio e o Largo da Carioca pela Avenida Chile. Porque isso não poderia acontecer novamente?

É isso mesmo.

Não haveria preocupação se houvesse confiança nas nossas autoridades. Por causa dos velhos casos de promessas não cumpridas não há segurança para que não só a estação Gávea, mas suas conseqüências possam ser contempladas:

  • o muito esperado anel da Linha 1
  • uma Linha 4 de facto, ligando Centro, Zona Sul e Barra, consideravelmente paralela à Linha 1

Então, e o que deveria ser feito?
As associações de moradores dos bairros envolvidos estão muito ativas e rola por aí uma petição intitulada “O Metrô que o Rio precisa”. A linha 4 seria estendida pelo subterrâneo do Jardim Oceânico até a Alvorada, trecho que sou totalmente a favor. Já na Zona Sul, a linha passaria pela Gávea e Jardim Botânico, outro trecho que sou favorável.

Porém, a partir de Humaitá, a linha não se direcionaria para Botafogo, mas para Laranjeiras e para a Carioca. Dessa vez, sou contrário a essa opinião por quatro motivos:

  1. Botafogo é o bairro com maior atração da Zona Sul, por ter muitas empresas e escolas. Não é exceção para passageiros vindo da Barra;
  2. Botafogo é um bairro bem extenso e ainda tem forte especulação imobiliária. Portanto necessita de mais estações;
  3. A estação da Carioca foi projetada para receber as linhas 2 e 3, ainda não completadas. Isso poderia acabar com esses planos;

O 4º motivo que considero mais importante. O maior problema atual do metrô carioca é o escoamento dos passageiros da Supervia em direção à Avenida Rio Branco e Zona Sul. A expansão da Linha 4 poderia servir como gancho para atender a essa questão. Afinal, o Centro do Rio pertence não só aos moradores da Zona Sul e Barra, mas a todos cariocas.

Realmente a melhor opção para todos os cariocas?

Deixando bem claro, respeito os moradores, admiro esse diálogo conquistado pelas Associações e concordo com boa parte do trajeto proposto no abaixo-assinado. Todavia darei minha opinião de como tudo deveria ser feito.

Agora, explicito minha nova proposta
Muitos pensam numa solução muito simples: estender a linha 4 até a Central. Por haver edifícios delicados na região, sou contra, tanto que na última atualização minha linha ia para a estação Presidente Vargas. Além disso, pessoalmente considero que a centralização do sistema traz mais prejuízo do que benefício no caso do Rio de Janeiro.

Uma idéia mais branda que tive foi fazer uma nova estação de integração Supervia e Metrô um pouco mais ao oeste da Central, na altura do viaduto 31 de Março. A estação poderia ter o nome “Marquês de Sapucaí“.

O maior problema é o terreno – ali ficava o Mangue de São Diogo que foi aterrado. Ainda achando que com uma linha muito profunda não haveria problemas, estava temeroso em postar porque não há estudos decentes abertos ao público. Mas não pude evitar, tinha que apresentar essa nova solução para vocês, leitores.

A linha chegaria de forma semelhante às outras propostas, depois de uma estação no Bairro de Fátima passaria pela futura estação da Praça da Apoteose da linha 2 e uma extensão da atual estação da Praça Onze da linha 1. A linha ainda se estenderia até o Porto, que esperamos que seja amplamente urbanizado. O terminal  seria na estação Gamboa, da minha linha 3 projetada.


Colaborem!
Algumas partes que falei nesse post estarão na próxima atualização. Dá um trabalhão fazer todos os gráficos para os trechos que vão mudando. Adiantando, sobretudo a malha da Ilha do Governador e as linhas 4, 6, 8, 9 e 10 vão mudar mais drasticamente. Ainda há pontos que preciso conversar.

Se quiserem dar idéias, pitacos, sugestões, críticas, estarei totalmente à disposição. Isso ajuda mais do que atrapalha. Mandem email para querometro@gmail.com ou comentem!

Aumento do preço da passagem: R$ 3,10

É triste ver o metrô tão degradado e superlotado. E piorando.
Pior de tudo é que nem estou há tanto tempo morando no Rio e já observo o declínio da qualidade do serviço. Ainda por cima, é caro.

No senso comum, deve-se pensar que é justo um preço maior do metrô do que outros modais (ônibus e barcas), por causa da superioridade, ainda que ligeira, nos quesitos rapidez, conforto e segurança. Mas o correto é justamente um preço menor – eu explico.

Por ser um modal muito mais pesado, comportando mais gente em menos tempo, o metrô deveria ser a peça-chave do transporte público carioca. Por isso, o uso do metrô deveria ser mais estimulado, sobrepondo os demais meios de transporte. Dessa forma, sendo metrô o meio mais eficiente, um preço mais abrandado, e subsidiado, deveria ser proposto. Eu defendo uma malha com o metrô como tronco do sistema justamente porque atende da melhor forma que se conhece.

Porém, ainda pode-se imaginar que isso quebraria contratos e que deve haver algum índice ligado à inflação no meio desses reajustes. Aí que notamos a falta de coerência dos meios reguladores do transporte carioca.

Pois bem, o contrato está aberto para quem quiser ver no site da Agetransp. Como se pode ver na sétima cláusula, o reajuste é feito pelo IGP-M, índice que tem mais ligações com o preço da comida do que com eventuais custos perdidos pelo consórcio Metrô Rio. O blogueiro Jan T. do Caos Carioca escreveu um artigo exclusivamente sobre isso. No 19º parágrafo, ainda vemos que no final de 2012 haverá uma revisão no valor da tarifa totalmente independente.

O mais interessante é que a cláusula mais importante ao ver dos usuários, a décima cláusula, não é plenamente cumprida pela concessionária. Trata-se de um pacto em que a qualidade do serviço deverá ser mantida, o que não aconteceu nessa última década. Todos percebemos que todos os setores estão afetados – atendimento, limpeza, segurança, climatização, número adequado de composições e até rapidez.

Infelizmente o metrô carioca é muito caro em relação ao serviço, e perde para muitos outros como o da Cidade do México (R$0,30),  Pequim (R$0,50), Seul (R$0,94) e Moscou (R$1,17). O passe de R$2,80 tem preço próximo ao de metrô de Tóquio e com um possível reajuste para R$3,10 teremos uma tarifa muito próxima do metrô de Nova York.

No setor de outros metrôs do mundo no blog Metrô do Rio pode-se perceber que várias malhas metroviárias citadas são superiores, e muitas vezes mais baratas, que a malha carioca.

Por final, convido a todos a protestar, ou pelo menos discutir, contra os abusos do metrô no dia 19 na estação Ipanema/General Osório às 3 da tarde. Se você tiver Facebook, alimente a campanha virtual e convide seus amigos!

Início do Blog

Bom, estou abrindo esse blog para poder divulgar esse projeto que ajudaria boa parte da população carioca na locomoção do cotidiano e venderia uma ótima imagem aos turistas.

Se você gostou desse projeto, divulgue-o! Mostre pra papai, mamãe, titia, irmão, periquito, …

E se você gostaria de fazer alguma sugestão ou correção – por favor, faça! Não me ofendo com isso, podem dar seus pitacos, esse blog também é para discussão.

Até mais,

Pedro.