Respostas na íntegra para O Globo

Foi feita uma matéria pelo Globo sobre o nosso projeto, no dia 8 de outubro, uma terça-feira. Ocupamos a página 12 inteira. A matéria ficou muito legal, mas naturalmente, muito foi adaptado para caber no formato. Inicialmente nos fizeram uma série de perguntas para facilitar a entrevista, e vamos disponibilizar as respostas que eu e o Rodrigo fizemos, agora, na íntegra.

Matéria no Globo

Onde se conheceram?
Conhecemo-nos em 2010 num fórum na internet chamado SkyscraperCity, que discute infraestrutura e urbanismo, onde até hoje somos usuários ativos.

Quando o blog foi criado?
Pedro: Comecei a ter algumas ideias cruas em junho de 2010 e criei o blog em dezembro. Nesse ponto eu já conversava com o Rodrigo via MSN, mas eu administrei o blog por uns dois anos sozinho. O site ficou pronto mesmo só em fevereiro de 2011 e sempre passa por algumas mudanças.

Por que falar sobre o metrô?
Pedro: As primeiras ideias vieram como um reflexo da minha paixão por cidades grandes e o metrô é um grande símbolo de cidade grande. Eu queria poder ir para os confins da metrópole por um transporte decente e isso infelizmente não existe no Rio.
Rodrigo: Desde 2004 uso quase diariamente a SuperVia. Logo no início, as vantagens do sistema (mesmo sucateado) me chamaram muito a atenção, levava 20 a 30 minutos para chegar em casa contra 1 hora e 30 minutos de ônibus nos mesmos horários. Acredito que não faria sentido debater sobre transportes, mobilidade e qualidade de vida numa metrópole sem falar de metrô e outros sistemas ferroviários.

Como surgiu a ideia?
Pedro: Resolvi criar o blog quando percebi que os meus amigos ou mesmo pessoas aleatórias da internet gostavam dos meus mapas primitivos e opinavam, fazendo algumas ideias toscas realmente fazer sentido. No começo era só um passatempo de fazer mapinhas e botar na internet, mas quando vi que a discussão ia crescendo tomei gosto pela coisa e continuei.
Rodrigo: Quando comecei a utilizar a Supervia nasceu um interesse por ferrovias e suas histórias. Inclusive, sou membro do Trilhos do Rio, um fórum sobre o assunto. Em 2009, tive acesso aos dados do PDTU 2002 e dos antigos projetos para o transporte público da metrópole. Assim, comecei a traçar, no Google Earth, tais projetos que nunca saíram do papel. Com o tempo, analisando dados da pesquisa origem/destino do PDTU e as linhas de ônibus (tanto do município do Rio, quanto as linhas intermunicipais) comecei a alterar as linhas projetadas e a criar um projeto próprio orientado nos projetos antigos. Muitas das propostas do blog, por exemplo, são releituras de projetos como o Plano Agache (no caso dos trens diretos/expressos), as Linhas Policromáticas e o Plano do Jaime Lerner (com os corredores transversais). Por exemplo, a proposta de Linha 4 que defendemos é uma incorporação do projeto licitado em 1998 (com algumas alterações, como passar por baixo das ruas do Jardim Botânico) com o corredor T-1 da proposta, da década de 80, do Jaime Lerner (com uma ligação transversal entre Botafogo e Central do Brasil).

Quantos anos vocês têm?
Pedro: Tenho 22 anos.
Rodrigo: Tenho 25 anos.

O que estudam?
Pedro: Estudo Engenharia Química na UFF.
Rodrigo: Estudo Engenharia de Materiais na UFRJ e Engenharia Mecânica no Cefet-RJ.

Onde moram?
Pedro: Moro no Andaraí, mas me mudei para o Rio em 2008 para estudar. Vim de Marataízes, uma cidade pequena no litoral sul do Espírito Santo.
Rodrigo: Moro no Encantado (perto do Engenho de Dentro).

Por que resolveram se juntar para falar do metrô?
Pedro: No SkyscraperCity percebemos que tínhamos muitas ideias em comum e trocamos contatos. O Rodrigo colaborou desde o início com o projeto e em algum ponto decidimos compatibilizar nossas linhas e estações para ele entrar no time.
Rodrigo: Quando comecei a utilizar o SkyscraperCity, veio o interesse em estudar sistemas de transporte de outras metrópoles, tentando comparar o Rio com metrópoles de população próxima, como Londres, Paris, Buenos Aires, Los Angeles, Chicago, Madrid, Hong Kong, Pequim, Rhine-Ruhr (na Alemanha). Assim, surgiu uma “inveja” de algumas dessas cidades e sistemas. Neste momento, o Pedro resolveu postar, no SkyscraperCity, sua proposta de linhas (na época, bem mirabolante e louca) e começamos a debater tal proposta. Ao longo do debate, foi inevitável mostrar parte do meu projeto pessoal e, com as opiniões de outros membros, eles foram se alinhando e convergiram para um só.

O que pretendem com o blog?
Rodrigo: O blog é uma forma de divulgarmos nossas ideias. Gostaria muito que nossas ideias se tornem propostas concretas, já que, além de propor uma rede colaborativa, nos baseamos em estudos, como o PDTU e o carregamento das linhas de ônibus (ao menos, as que tivemos acesso). Diferentemente de São Paulo, onde há um planejamento em longo prazo de uma rede de transportes, aqui no Rio parece não haver uma sinergia entre as esferas de poder envolvidas para se criar uma rede. E quem sofre com essa falta de planejamento e sinergia nas ações somos nós, moradores da metrópole, além dos tantos visitantes que esta recebe. Acredito haver um potencial em propostas como a nossa fazer com que as autoridades olhem para a metrópole como um todo, não apenas cidades ou bairros isolados.

Qual a receptividade do blog?
Pedro: Geralmente é muito positiva. Sempre aparece um leitor dando uma opinião sobre o seu bairro ou apontando alguns erros. O projeto foi construído através de muita discussão, tanto de leigos quanto de entendidos. Alguns sites já divulgaram nosso projeto, como o Observatório das Metrópoles. Tivemos alguns visitantes ilustres também, por exemplo, o André Trigueiro e o César Maia logo no início, que divulgaram o projeto via Twitter, e mais tarde alguém respondeu como Jaime Lerner, porém nunca verificamos se realmente era ele. E agora jornais vieram nos entrevistar.

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2 Respostas para “Respostas na íntegra para O Globo

  1. Amigos do blog, obrigado pela dedicação de vocês. Estou aqui em Minas lutando pela mesma causa. Foi um surpresa muito grande e positiva ver que tem gente que continua procurando alternativas que nos tire do domínio do transporte rodoviário, e no caso os outros outros sistemas vem, justamente acrescentar o que falta no transporte rodoviário.

  2. Luiz Roberto Bodstein

    Interessante, louvável e dignificante a idéia de estimular a mentalidade do transporte público de massa sobre trilhos. A rede-tronco de vocês se me apresentou digna de qualquer cidade européia, várias nas quais pude testar seus traçados que proporcionam mobilidade eficiente e confortável. O único problema é ter o talento de vocês acontecendo no Brasil. Um sistema como o desenhado, minimamente, não estará funcionando antes de um século, na mais generosa das expectativas, se considerada a realidade política do país. Haja vista a linha 3 do metrô que “deve” ligar Niterói a Itaboraí, há anos sofrendo sucessivos adiamentos e sem que nada saia do papel, apesar de tantas ações alardeadas e prometidas a cada ano. A linha que deveria unir o Rio a Niterói, então, e continuada tanto para o norte quanto para o sul da ex-capital, ninguém mais fala nela. Com toda honestidade, se o básico indispensável já encontra tais obstáculos, o que dizer de uma rede nos moldes europeus?

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