Nos últimos anos, o projeto QUERO se concentrou em estruturar os conceitos básicos que fundamentaram as propostas apresentadas aqui. Todo o esforço culminou no livro “Quadros Urbanos”, que descreve o ponto de vista construído ao longo de quase uma década de debate, consulta e introspecção. Esse documento serve não apenas como uma receita para inventar sistemas de transporte de grande porte, mas também como um modo para viabilizá-los. São discutidos objetivos, diretrizes e métodos que possibilitariam uma reforma urbana. No fim, o programa desenvolvido ao longo do livro é ilustrado no Rio de Janeiro, pela mesma rede que está sendo gradualmente atualizada aqui no site: 12 linhas de metrô, 5 linhas de trens expressos, 43 linhas de BRT e 12 linhas de pré-metrô (VLT segregado).
Agora, a campanha de financiamento coletivo do livro finalmente começou! Durante dois meses, serão arrecadados fundos na plataforma Benfeitoria para apoiar a publicação e o evento de lançamento do livro. O processo deve servir como uma etapa de pré-venda, já que há um sistema de recompensas ao contribuir, de acordo com o valor:
- 🗺️ R$50: Mapa A3
- 📖📥 R$70: Livro + PDF
- 📖📥🗺️ R$110: Livro + PDF + Mapa A3
- 📖📥🖼️ R$250: Livro + PDF + Pôster A2
Portanto, quem quiser ajudar, reservar seu exemplar, ou simplesmente tiver ansiedade para ver logo os resultados, vai ter acesso imediato à versão atual do livro em formato digital, que estou chamando de zerésima edição. As demais recompensas, inclusive o livro físico, poderão ser obtidas assim que o livro for lançado, depois do processo editorial. Estou contando com o apoio da minha patrocinadora, a Quanta Consultoria, e da Editora Telha para que tudo isso aconteça como planejado. Agradeço muito à designer Natasha Lomonaco da Quanta, que já me ajudou com os mockups maravilhosos acima e vai finalizar a capa que comecei a esboçar. Até o lançamento, serão fabricadas versões físicas dos tradicionais diagramas de rede de transporte, em estilo esquemático, para entregar junto com os livros!
O livro é praticamente um manifesto. Ele explora essa visão de mundo de que as cidades podem ser diferentes e que a mobilidade urbana é chave para transformá-las. Organizar as ideias foi um trabalho difícil e minucioso, porque facilmente as discussões mais profundas descambam para o abstrato. O principal desafio foi não tornar o texto muito árido, já que, afinal, havia muito o que falar (foram 67 mil palavras). Minha solução para superar isso foi tentar manter a linguagem mais leve e, da mesma forma que sempre fiz aqui, rechear o texto com muitas ilustrações e recursos gráficos.
Meu desejo mesmo é instigar os leitores a sonhar novamente em utopias, em acreditar que elas podem sim ser viáveis. O ceticismo para as propostas voltadas ao transporte público não acontece na mesma medida com o que é oferecido para os carros, que modificam as cidades, violentamente, no espaço público e na vida privada, desde meados do século passado. Ninguém liga que foram criadas cidades surreais pensadas para os automóveis, que ninguém sequer cogitaria antes da sua invenção, as Brasílias com suas gigantescas avenidas: agora tudo isso é normal.
Com essa dominância do carro, todo mundo também se acostumou com a mediocridade para todo o resto. As respostas são as mais fáceis, oportunistas e superficiais possíveis para os problemas do verdadeiro cotidiano, da maioria que ainda não é motorista e pega condução. As soluções continuam insuficientes e não superam as dificuldades das cidades brasileiras. No fim, está tudo certo, as pessoas orientadas a dirigir diariamente, a única saída improvisada para não passar sufoco, causando mais problema no tráfego. Se o carro pôde, em duas gerações, reimaginar as cidades, por que não reimaginá-las à semelhança do real dia a dia das pessoas? É realmente impossível ter redes fantásticas como as que o QUERO explora há 15 anos? Essas são questões debatidas no livro. Um pequeno adiantamento: é tudo possível! Tecnicamente e economicamente, a implantação de sistemas como o Plano QUERO é inteiramente viável pelo menos por um método, o método que é concebido no livro. Claro, podem existir outras alternativas, mas gostaria que vocês conhecessem essa.
Como não quero fazer tanto mistério, posso resumir em dois pontos centrais. Basta juntar as gestões do transporte metropolitano, inclusive as que foram fragmentadas para entes privados, em apenas um comando unificado e encontrar fontes robustas de financiamento. Por um lado, se evita o conflito interno e as mudanças ficam sob controle da população e do poder público; por outro, as mudanças podem acontecer rapidamente com investimentos mais constantes. Diante das alternativas, é cada vez mais claro que a fonte de recursos mais confiável e volumosa seria aproveitar recursos arrecadados com o uso do carro (licenciamento, estacionamento, pedágio etc.). Obviamente, isso é polêmico e difícil, mas eu já fiz as contas e parece ser uma das únicas opções realmente capaz de abastecer uma reforma urbana. A principal barreira, como pode-se ver, é muito mais política que técnica, então antecipei desde 2023 um trechinho do livro que avança um pouco sobre o assunto: “por um manifesto anticarrista”.
Não há muito mais o que dizer, até porque não quero tirar o foco desse post: por favor, apoie a campanha!

