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Monotrilho da Mata

Recentemente descobri um projeto do PAC interessante, porém certamente polêmico. Trata-se de um monotrilho que ligaria o Alto da Boa Vista, algumas favelas da Tijuca (Borel, Formiga e Salgueiro) e a estação Saens Peña. Notadamente, essa ligação alfinetaria o ego de certos cidadãos do “asfalto”. Não convém adentrar tanto nessa problemática, mas há duas questões importantes:

  • Não seria uma falta de planejamento não levar em conta uma expansão do metrô até a Usina, onde o asfalto é bem mais próximo do morro? Há espaço para um viaduto numa região urbanizada e consolidada como a Praça Saens Peña?
  • Qual é o critério para excluir o Morro do Turano das favelas contempladas? Afinal o complexo de favelas abrange uma área tão grande que seria possível até duas estações do monotrilho hipotético.

O polêmico monotrilho da Tijuca

Desde a apresentação do projeto, podemos ver falhas conceituais graves. O Morro do Salgueiro fica tão afastado da estação Saens Peña quanto a Rua do Matoso se distancia da estação Afonso Pena. E se o objetivo é só integrar as favelas da Usina, que se construa uma estação de metrô na região!

E é claro que há pontos positivos, tanto que irei absorver uma versão do projeto. A linha de monotrilho serviria como uma ecobarreira, impedindo novas invasões ao Parque da Tijuca, e certamente uma extensão encobertaria bem o trecho Usina-Itanhangá.

A versão do monotrilho pelo "Quero Metrô!"

O mapa a seguir mostra que essa linha de monotrilho exigiria um traçado muito sinuoso, já que um dos limites do modal é a inclinação, e o terreno acidentado seria problemático mesmo com a folga de se ter viadutos. Uma solução para isso seria a escolha de teleféricos ao invés do monotrilho.

Corredores de ônibus

Outro ponto que muito se comenta é que a construção dos corredores de ônibus, ou BRT (Bus Rapid Transit), poderia dar conta da demanda carioca ou simplesmente ser justificativa de alguns políticos em não fazer algo semelhante ao projeto Quero Metrô!.

Explicarei nesse post porque os famigerados corredores não necessariamente excluem ou dificultam a possibilidade de linhas metroviárias, como também podem auxiliar a função do metrô em aumentar a fluidez da cidade. Isso se for feito uma política de planejamento, que infelizmente engatinha no Brasil.

Exemplo de ônibus biarticulado em Curitiba

O BRT é basicamente um sistema otimizado para o transporte rodoviário que se constitui de vias majoritariamente exclusivas para ônibus articulados. Foi implementado pela primeira vez no mundo em Curitiba, em 1974. Tais corredores se destacam num menor custo de implementação do que o metrô. Por outro lado, poluem mais, têm manutenção mais cara e suportam demanda menor que do metrô (semelhante a um VLT). O BRS (Bus Rapid System) de Copacabana se difere de um BRT nos moldes curitibanos porque tem faixas compartilhadas com outros veículos.

No Rio de Janeiro, serão construídos até as Olimpíadas pelo menos 3 corredores BRT. Um deles citei no último post, o chamado TransCarioca, que ligaria Barra e Penha via Madureira. Os outros dois são o TransOeste, ligando Barra e Santa Cruz via Guaratiba, e o TransOlímpica, ligando a parte oeste da Barra com Deodoro via Jacarepaguá. O vídeo a seguir mostra o trajeto dos corredores:

Além desses corredores, também estava prevista a construção do corredor TransBrasil, em toda a extensão da Av. Brasil, e o Plano Lerner, um sistema de BRT em Niterói, criado por Jaime Lerner, que implementou o BRT pela primeira vez em Curitiba. Mais tarde haverá um post falando sobre o sistema que estou organizando para o Leste Fluminense.

Nesse ponto, muitos discutem que os corredores poderiam concorrer com as linhas de metrô projetadas pelo Quero Metrô!. Nessa próxima atualização que estou preparando, haverão desvios nas linhas de modo que isso não aconteça. Proporcionei que as áreas afetadas pela chegada do BRT fossem um pouco mais afastadas do metrô. Dessa forma, os corredores poderiam servir como linhas alimentadores do modal mais pesado, o metrô.

Áreas afastadas do metrô destacadas em vermelho

Para isso, criei meu próprio sistema de BRTs, que seria muito semelhante aos planos atuais. Por exemplo, a única diferença do TransCarioca oficial e o do Quero Metrô! é a relação no bairro Curicica. Ao invés de passar pela Estrada dos Bandeirantes, passaria pela Rua André Rocha, atingindo a região mais afastada do metrô. Outras mudanças são leves, apenas extensões imitando idéias já apresentadas no passado pelo governo, como o T8, o corredor ligando Baixada e Zona Oeste.


Vale lembrar que, no futuro, esses corredores podem ser substituídos por sub-ramais  das linhas em vários trechos:

  • Rodoviária – Margaridas, substituído pela Linha 3
  • Recreio – Santa Cruz, substituído pela Linha 4
  • Madureira – Galeão, substituído pela Linha 6
  • Deodoro – Santa Cruz, substituído pela Linha 7 opcional

Isso poderia extinguir alguns dos corredores, sobrando apenas os benefícios nas avenidas e vias expressas.