Rock in Rio e a desastrosa concentração de fluxos: BRT e sua logística fail

Proposta Rock in Rio2

QUERO METRÔ ALERTA: Vá ao Rock in Rio saltando na estação RIO 2 do BRT TransCarioca ou uma das linhas que passam pelo Rio Centro: 348 (Riocentro x Castelo), 368 (Riocentro x Castelo). NÃO Enfrentem o terminal Alvorada!

Gabriel Barreira g1 Alvorada entrada

Gabriel Barreira / G1

Três horas e meia. Esse foi o tempo médio entre o embarque em algum meio de transporte da cidade e a chegada na Cidade do Rock pelo esquema especial montado no sistema BRT. O Terminal Alvorada recebeu cerca de 40mil pessoas por dia. Algo previsível num evento com 80 mil pessoas, não? Parece que não… Como nos outros anos, foi montado um esquema dando o monopólio de aceso ao festival ao sistema de ônibus da cidade, com um serviço executivo (ao preço módico de 70 reais ida e volta) e linhas especiais expressas partindo da Alvorada para a Cidade do Rock. Foram vendidos, na hora, bilhetes de ida e volta para aqueles que não tinham o cartão Rio Card. Diariamente, mais de 60mil pessoas passam pelo principal terminal do sistema BRT. Com o Rock in Rio, uma única estação do sistema recebeu um movimento 60% maior, equivalente ao movimento diário da Linha Gramacho da SuperVia. Se no sistema metroferroviário, uma linha teria dificuldades de carregar todo esse volume (e com alta concentração em determinados horários), como esperar que uma única linha de ônibus articulados conseguiria absorver tudo isso e, ainda, carregar os passageiros que já carrega normalmente (especialmente nos dias úteis de festival, última sexta,18/09, e próxima quinta e sexta, 24 e 25/9)?

Guito Moreno / O Globo

Guito Moreno / O Globo

Há um mantra publicitário daqueles que vendem e operam sistema BRT, de que ele é transporte de alta capacidade e pode “substituir o metrô”. Não, não pode! Bus Rapid Transit é uma excelente solução de mobilidade, mas atende um perfil de demanda bem definido, entre 10 e 30 mil passageiros, sendo os de maior capacidade utilizando duas faixas de tráfego por sentido. Sistemas metroferrroviários conseguem carregar mais de 50 mil passageiros por hora com apenas uma via de tráfego por sentido sem o desconforto e insalubridade da lotação de um articulado numa linha/tronco que carregue mais de 30 mil passageiros por hora (que é o volume do tronco mais carregado do TransMilênio, de Bogotá).

Gustavo Stephan / O Globo

Gustavo Stephan / O Globo

Porém, o problema não foi o BRT e as falhas de organização de filas e sinalização. Terminal Alvorada não tem capacidade para receber tantos passageiros ao mesmo tempo. Mais que isso, a Central do Brasil teria dificuldades de receber tanta gente (mesmo com seu porte e linhas de alta capacidade). Poderia ser metrô, teletransporte que seja, haveriam filas intermináveis e pessoas desmaiando por causa do calor. Mas não é impossível lidar com eventos do tipo. Longe disso…

Gabriel Narreira / G1

Gabriel Narreira / G1

No Maracanã, com as mesmas 80mil pessoas, dificilmente ocorre problemas como no Rock in Rio. E, não, o Metrô Rio e a SuperVia não são sistemas mágicos que atendem sua demanda, porque não atendem. Mas no estádio da final da Copa, não obrigam todos os expectadores a chegarem no local pela estação Maracanã…. Há bolsões de estacionamento próximos, ônibus chegando próximo e pelo menos 3 estações de alta capacidade (Maracanã, e São Cristóvão, ambas servindo Metrô Rio e SuperVia, além de São Francisco Xavier do Metrô Rio). Há até bicicletas do Bike Rio. Sim, os fluxos são separados, quem sai da Zona Norte e Baixada para chegar no Maracanã não entra no mesmo modo de transporte que aqueles que vem da Zona Sul, Niterói e Tijuca. Cada um chega por um lado, estação ou ponto.

Distribuir fluxos! Essa é a solução logística mais adequada, não forçando todos irem para o mesmo local criando, artificialmente, um gargalo. Falha grotesca do próprio BRT, já que a operação foi mais uma propaganda negativa para o serviço, sistema e modo.

Solução proposta:

Ainda sem o corredor TransOlímpica e o terminal Parque Olímpico, o ideal seria oferecer  ao menos dois serviços: Alvorada x Rock in Rio e Madureira x Rock in Rio. Para chegar na Alvorada, todos os que não vem pela Zona Sul ou TransOeste são obrigados a usar o BRT TransCarioca, passar a 1,5 km da cidade do Rock, mas, ao invés de irem diretamente, viram sentido Alvorada para, depois, voltar o mesmo caminho até as proximidades do antigo Autódromo. Isso mesmo, você passa em frente ao Centro Metropolitano e Via Parque duas vezes,  indo para a Alvorada pegar um ônibus que vai voltar pelo mesmo caminho. Com uma linha partindo de Madureira, essa “viagem negativa” seria desnecessária e parte sensível da demanda seguiria para o festival por outro ponto, sem sobrecarregar tanto a operação regular do sistema BRT, quanto a operação do terminal Alvorada.

Além disso, por motivos dos mais variados, muitos não abririam mão de ir de carro ao evento caso fosse possível. E é possível! Com mais de uma linha partindo de Jacarepaguá e da Zona Norte da cidade, poderia haver convênios, como fazem no Maracanã, para estacionamento alimentando os serviços (“park and ride”). Existem áreas para isso próximo das estações ao longo da Estrada dos Bandeirantes, Taquara, Tanque, Madureira, Vicente Carvalho, Fundão e Aeroporto internacional. Os estacionamentos, cobrado por convênio com particulares, geraria receitas para o operador do esquema e permitiria o festival atingir um público que não está disposto a enfrentar as dificuldades atuais para chegar e sair do local, nem está disposto a pagar a tarifa dos serviços seletivos. Mais que isso, facilitaria para aqueles que não tem opção de linhas na madrugada para voltar da Cidade do Rock.

Inevitavelmente, Alvorada continuaria concentrando maior demanda, por sua localização. Assim, metade da frota atualmente disponível para a linha Rock in Rio deveria ser mantida no terminal. A outra metade seria dividida entre Madureira, Vicente Carvalho e Jacarepaguá (sugerimos St. Efigênia como partida por estar a mesma distância do terminal Rock in Rio que a Alvorada, mas poderia ser Taquara ou Tanque). Além disso, muitos turistas vêm diretamente para o evento, além dos estacionamentos na região do aeroporto. Com a criação de um estacionamento provisório próximo ao terminal do Fundão e a linha semidireta Galeão x Alvorada passar a fazer escala no Rock in Rio de hora em hora (a exemplo da operação da EMTU no festival SWU, onde mantiveram uma linha fazendo SWU x Viracopos).  Teríamos:

  • Alvorada x Rock in Rio (6 em 6 min até às 0h): Direto
  • Jacarepaguá x Rock in Rio (6 em 6min até às 0h): Direto, com táxis e estacionamento integrado
  • Madureira x Rock in Rio (12 em 12min até às 0h): Paradas na Praça Seca e Tanque, integração com SuperVia, táxis e estacionamento
  • Vicente Carvalho x Rock in Rio (15 em 15min até às 0): Paradas na Praça Seca e Tanque, integração com Metrô Rio, taxis e estacionamento.
  • Galeão x Rock in Rio (1 em 1hora às 0h): Paradas no Fundão, Vicente Carvalho e Madureira, integração com aeroporto, taxis e estacionamento.
QM|Operação Rock Rio

QM|Operação Rock Rio

Com essa proposta, as 40mil pessoas que foram a cidade do Rock seriam transportados em 6h (operação iniciando às 10h e 30min e indo até às 0h sentido Rock in Rio). Para a volta, já seria necessário evacuar toda a cidade do Rock quase que de uma única vez, exigindo maior disponibilidade de frota. Como os serviços expressos não funcionam nos corredores TransOeste e TransCarioca, a solução seria deslocar toda a frota possível o terminal Rock in Rio, com saídas em comboios de 2 veículos para Jacarepaguá, Vicente Carvalho e Galeão e 4 veículos para Madureira e Alvorada. Partindo no esquema lotação, encheu saiu (sem fixar intervalos). Será necessários 200 partidas para esvaziar completamente o festival, o que exigirá organização das filhas (dividindo-as por linha e por porta de embarque) e que as linhas sejam expressas (fazendo paradas no menor número possível de estações, mantendo o esquema da ida) com o serviço parador dos troncos, linhas alimentadoras e táxis escoando o público nessas paradas.

Essa é uma das maiores vantagens do BRT, flexibilidade quanto a implementação de serviços. Não sairia mais caro nem mais custoso, talvez fosse até mais barato, já que sem a acumulação do pico de movimento na Alvorada (quando a espera chegou a 2h para entrar na plataforma de embarque) seria possível reduzir a frota dedicada ao esquema especial. Mas parece que o consórcio BRT gosta de jogar dinheiro fora e atender mal seus clientes por isso…

Além disso, ficou o momento cômico de nossa imprensa:

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Expectativa

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Realidade

Duas matérias no mesmo dia, uma claramente descolada com a realidade…

Consórcio BRT, mentir em suas propagandas só farão as pessoas sentirem ódio de vocês. Monopólio na operação do sistema não é monopolizar cidade, logo, assim que puderem, seus clientes migrarão para outros modos (até mesmo colocando um carro de passeio a mais na rua). Melhor eficiência na operação de seus serviços trará maior satisfação de seus clientes e menor custo para operar o mesmo (gerando mais lucros). E podem entrar em contato conosco, caso não saibam o que fazer!

a73019ab4b2a7ef2bd26b617a7579e17*Autor: Rodrigo Sampaio, estudante de Engenharia de Materiais na UFRJ. Membro da equipe Quero Metrô! desde 2012.

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